sexta-feira, 2 de setembro de 2011

MEMÓRIAS DE UM PASTOR - Eugene Peterson (NOTAS DE LEITURA)

Em outras oportunidades já pude dizer que Eugene Peterson é  um dos meus escritores prediletos. Peterson é um pastor que conversa com pastores, não é a toa que ele seja conhecido como “pastor de pastores”, isto fica muito evidente no capitulo em que ele trata da companhia de pastores. 
Em “Memórias de um Pastor” Peterson mergulha fundo na formação da sua vocação pastoral e a medida em que ele expõe sua trajetória, eu mesmo fui levado a fazer uma retrospectiva da minha própria historia. Cheguei a conclusão de que não decidi ser pastor, na verdade fui formado pastor. Isto faz parte da minha historia, é isto que eu sou e sempre serei – Um Pastor. 
Confesso a vocês que terminei a leitura desta excelente obra renovado na paixão. Vejo muitos pastores cansados, frustrados e ate alguns que estão pensando em desistir da caminhada pastoral. Oro por estes queridos pastores, sei que realmente não é fácil exercer uma vocação pastoral, afinal nosso trabalho nas palavras de Peterson “é solitário. Precisamos um do outro”. Sei de colegas que olham para a vocação pastoral e o que veem são sepulturas e é neste momento que as palavras de Barth soam como trovão – “Somente onde há sepulturas, há ressureição”. 
“Memórias de um pastor” me fez muito bem e com certeza abençoará muito a sua vida. 
Com vocês as notas de leitura – 
  • A Igreja é composta de pessoas que ao entrarem no templo, deixam para trás o rotulo ou designação pela qual as pessoas da rua as conhecem. Uma igreja não pode jamais ser reduzida a um lugar onde se transacionam bens e serviços. Jamais deve ser um lugar onde as pessoas são rotuladas. Não pode ser um local de fofoca. Antes de qualquer outra coisa, a igreja é um lugar onde as pessoas tem nome e são saudadas, implícita ou explicitamente, no nome de Jesus. É um lugar que da dignidade as pessoas. 
  • Para mim, minha igreja é uma obra em processo, um romance em que todos e tudo estão conectados a historia da salvação em que Jesus tem a palavra final. 
  • De vez em quando, porem, um raio da beleza mais luminosa parece se materializar vindo não se sabe de onde e ilumina as pessoas ao nosso lado. Vejo então o que os meus olhos embotados pelo pecado não eram capazes de ver: vidas plasmadas pela palavra de Deus, geradas pelo Espirito Santo, de uma humildade disposta ao sacrifício, de uma virtude heroica, que erguem a Deus um louvor santo, sofrendo sem perder o contentamento, orando sem cessar. Perseverando na obediência – shekinah. Outras vezes, porem, não vejo nada disso. 
  • Igrejas não são franquias que devem ser reproduzidas o mais fielmente possível , seja onde for, e quando for, em Roma, Moscou, Londres ou Baltimore, cuja única alteração é a tradução do menu. 
  • Todavia, se não adquirimos uma logica narrativa, uma percepção de historia na expectativa de que somos, cada um de nós, pessoas únicas – participantes de um lugar, de um tempo e clima únicos e específicos de onde vivemos e adoramos – vamos sempre procurar em outro lugar ou num século diferente um modelo que nos permita ser uma igreja autentica e bíblica. 
  • Nem todo mundo sabe quer fazer parte dessa historia se o seu papel não for o da estrela (ou do astro) principal.
  • Deus nos deu o milagre da igreja com o mesmo sinal que nos deu o milagre de Jesus: pela descida da pomba. O espirito Santo desceu sobre o ventre de Maria na aldeia de Nazaré. Passados trinta e poucos anos, o Espirito santo desceu sobre o ventre coletivo de homens e mulheres, entre elas o de Maria que se haviam tornado seguidores de Jesus. A primeira concepção nos deu Jesus, a segunda, a igreja. 
  • A igreja é um conjunto de pessoas que se definem pelo fato de serem criadas a imagem de Deus, são almas vivas, quer saibam disso quer não. Elas nãos são problemas em busca de solução, e sim mistérios, a serem honrados e reverenciados. Quem mais na comunidade, senão o pastor tem a obrigação de acolher homens e mulheres e de recebe-los bem na igreja em que são conhecidos não pelo que ha de errados com eles e sim pelo que são, assim como são?
  • Uma resolução começou a tomar forma dentro de mim, não iria mais esperar que me pedissem. Nesses tempos de secularismo em que vivo, Deus não é levado a serio. Ele é periférico. Deus é “legal”, mas ele não esta no centro. Quando as pessoas procuram ajuda para os pais, os filhos ou para as suas emoções, elas não costumam achar que estejam precisando de Deus. No entanto, se eu quiser ser fiel a minha vocação de pastor, não posso permitir que o mercado decida o que devo fazer. Sempre haverá um meio de orar com as pessoas e por elas, e também um meio de ensinar as pessoas a orar, geralmente de modo discreto e , não raro, subversivo, sobretudo quando puder faze-lo sem que elas percebam o que estou fazendo, mas não vou esperar que peçam. Sou Pastor!
  • Nossa vocação nos torna invisíveis. 
  • Eu tinha ainda muito que aprender sobre a vocação de pastor, mas de uma coisa tinha certeza: a oração era o centro de tudo. 
  • Um dia de adoração é seguido de seis de trabalho. É nesses dias de trabalho que tanto a identidade do pastor quanto da congregação se vê envolvida pela nevoa do secularismo. 
  • Pastores, façam isso, anunciem a salvação no santuário uma vez por semana. Orem com as pessoas e por elas todos os dias da semana.
  • Pastores, Façam isso. Escutem todos os dias o que as pessoas tem a dizer, ajudem essas pessoas a entenderem que as historias que elas nos contam estão sendo entretecidas na grande história contada no Sinai. 
  • Pastores façam isso. Não expliquem o sofrimento, não prometam que tudo vai logo melhorar. Não culpem as pessoas por seu sofrimento. Enfrente-o com elas. Seja sei companheiro, paciente no sofrimento. 
  • Pastores, não façam o que as pessoas querem ou pedem de vocês. Dizer não é tão importante quanto dizer sim. 
  • Pastores, lembrem-se de que vocês estão trabalhando como uma comunidade formada em Deus. 
  • O mundo de êxodo era cheio de historia de igrejas. Moises salvo do rio quando criança, seus longos anos de formação como pastor de ovelhas em MIdiã, os anos em que ele não soube que era um pastor em formação, a voz que falou com ele da sarça ardente, as dez pragas, a libertação no mar vermelho, os trovoes e relâmpagos no Sinais, as Dez palavras. 
  • Não podemos transformar Deus num objeto: Deus não é algo a que damos um nome. Não podemos transforma-lo em uma ideia, ele não é um conceito a ser discutido. Não podemos usar Deus para criar ou fazer algo. Deus não é um poder, que possa ser controlado. 
  • Ninguém amadurece na vida crista sentando-se em uma sala de aula, numa biblioteca, ouvindo palestras e lendo livros, tampouco indo a igreja, cantando hinos e ouvindo sermões. Crescemos quando pegamos as coisas de cotidiano, nossos pais e filhos, cônjuges e amigos, nosso local de trabalho e nossos colegas de trabalho, nossos sonhos e fantasias, as coisas a que somos apegados, que nos proporcionam fácil gratificação,  a despersonalização a que nos submetemos nossos relacionamentos íntimos, a retificação das verdades da vida e sua transformação em idolatrias: crescemos quando pegamos tudo isso e colocamos no altar do fogo purificador  - nosso Deus é um fogo consumidor – que a tudo redime santificando nossa vida. Uma vida que não esta reservada somente a freiras e monges, que pode ser vivida por qualquer um, em qualquer igreja. 
  • Não podemos ter Deus do nosso jeito, domesticado conforme nossas necessidades, reduzido as ideias que temos de como ele deveria agir. A oração nos faz mergulhar na forma em que Deus esta presente conosco quer entendamos quer não, quer gostemos quer não. 
  • As crianças são nossa primeira defesa contra o efeito anestésico e achatador das palavras que fazem desconexão entre Deus e a vida. 
  • A linguagem verdadeira diz respeito a comunhão, a criação de um relacionamento que perdure por toda a vida: amor, fé e esperança, perdão salvação e justiça. A verdadeira linguagem requer língua e ouvido. 
  • Minha formação de pastor vem de toda a minha vida. 
  • O primeiro passo é só o começo, é o que vem depois que se transforma em historia, nesse caso, a formação vocacional. 
  • A coisa mais importante no céu e na terra...é a necessidade de uma longa obediência na mesma direção, disso resulta, e sempre resultou a longo prazo, algo que que torna a via digna de ser vivida. 
  • Na confusão do trabalho e de pecado, das famílias e dos bairros, minha tarefa consistia em orar, dar direção e estimular aquela qualidade vivida do evangelho – pacientemente, localmente e pessoalmente. Pacientemente: eu ficaria junto dessa gente, não ha um jeito fácil e rápido de faze-lo . Localmente eu abraçaria as condições desse lugar – sua economia, cultura, escolas, o que fosse – de modo que não houvesse nada concebido de forma abstrata ou piedosa em relação ao que eu estava fazendo. Pessoalmente – eu conheceria cada um, saberia seus nomes, conheceria suas casas, sua família, seu trabalho, mas não me intrometeria, não os trataria com dignidade. Pregar é claro, é parte do que faço, ensinar também, bem como administrar a igreja como comunidade de fé. Todavia, o contexto mais amplo a minha missão especifica no que diz respeito a vocação pastoral tanto quanto me permite minha capacidade, consiste em fazer que os homens e as mulheres da minha igreja se conscientizem das possibilidades e da promessa de vivenciar em nível pessoal e local as implicações de seguir a Jesus e acompanha-los nessa caminhada. 
  • Mas a questão, de fato é que se ate Nietzsche viu a necessidade de uma obediência por toda a vida, muito mais nós devemos investir na longa obediência da maratona que é seguir a Deus.
  • Uma das coisas que me dá mais prazer em ser pastor é essa imersão nas ambiguidades, de não estar no controle, o que permite o surgimento de insights e de decisões que evoluem para confissões de fé e para o carinho não planejado, espontâneo, de uns para com os outros e que, com o passar dos anos, tornou-se uma cultura de hospitalidade. 
  • Não sei quanto a parte do incompreensível, mas o fato é que os pastores são de fato invisíveis seis dias por semana. O único momento em que as pessoas da igreja nos veem em ação é quando dirigimos o culto aos domingos. Existem algumas outras ocasiões em que realizamos nosso trabalho em publico : funerais, casamentos, cerimonias de formatura. Contudo quando visitamos os enfermos, só o doente e sua família ficam sabendo. Quando oramos, só Deus sabe. 
  • Quero ser um pastor que ora. Quero ser um pastor que lê e estuda. Quero ser um pastor que tenha tempo para conviver sossegadamente com vocês. Quero ser um pastor que conduza vocês na adoração, um pastor que as coloque diante de Deus em obediência receptiva, um pastor que pregue sermões que tornem a Escritura acessível, presente e viva....
  • Vivo de milagres. Não poderia viver um dia sequer sem eles. 
  • O pastor é a única pessoa da comunidade que tem condições de levar a serio homens e mulheres pelo que são, de valoriza-los como são , de lhes dar uma dignidade que deriva do fato de serem Imagem de Deus, de serem pessoas criadas por Deus e que tem valor eterno sem que para isso tenham de provar que são uteis ou bons um alguma coisa. 
  • Boa parte do trabalho pastoral acontece quando não sabemos que estamos exercendo nossa vocação. 
  • Somente onde há sepulturas há ressurreição. Karl Barth
  • Você desempenha melhor a vocação de pastor quando não é notado. Para manter sadia essa vocação é preciso negar-se a si mesmo o tempo todo, é preciso sair do caminho. Certo anonimato abençoado é inerente ao trabalho pastoral. O pastor, quando é notado, começa rapidamente a querer ser notado. Muitos anos atrás, um amigo pastor me disse que o ego espiritual traz consigo o mau cheiro da doença, o cheiro implacável do ego. Nunca me esqueci disso.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR E OUTRAS PARA LER


Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. 2 Cor 3.2
Estou lendo no momento “Memórias de um Pastor” de Eugenne Peterson, um dos meus escritores predilectos. Na verdade, tenho conversado com Peterson, ouvindo atentamente suas histórias que de alguma forma tem a ver com as minhas visto que também caminho nesta vocação pastoral e portanto tenho as minhas próprias “memórias” como pastor. 
Foi muito edificante ouvir Peterson falar sobre o Livro de Atos dos Apóstolos, o livro de uma história que ainda esta sendo contada. Realmente olhamos para Atos apenas como registro da igreja em seus primeiros dias, quando na verdade deveríamos lê-lo como uma história que ainda esta sendo contada, por cada um de nós. Numa visão bastante reducionista, conto apenas uma história (A trama de Jesus) e deixo passar desapercebido outras histórias que se desenrolam diante de mim. Cada pessoa que passa pelo meu pastoreio é uma história singular que precisa ser atentamente lida. No cap. 16 Eugenne dedica-se a contar algumas destas histórias, o que para mim foi algo bastante fascinante e de certa forma perturbador, uma vez que o me inquieta neste momento é exactamente a seguinte questão - Como pastor estou atento as histórias? Tenho sido apenas um contador de historias ou tenho me dedicado na leitura de muitas historias?
Algumas destas historias são fascinantes outras são lastimáveis. Histórias de gente que continua na caminhada connosco atrai cada vez mais a nossa atenção, enquanto que a história daqueles que se foram (muitos levados pela ingratidão) são logo deletados da memória. Mas espere um minuto. O evangelho registrou a escolha de Judas, sua participação na ceia, sua traição e sua morte. Mesmo sendo um caso digno de esquecimento a triste e desgraçada história de Judas ficou registrada para a posteridade. Entendo a partir dai que nenhuma história é sem importancia. A historia dos que estão e dos que se foram tem o seu valor. Qual o valor da história de um traidor, de um ingrato? Confesso que preciso ler mais para poder dar uma resposta. O que sei é que todos os dias tenho muitas histórias para ler. Paulo declarou certa vez que somos “cartas vivas” e peco quando deixo de ler estas cartas.
Cada história tem a sua história. Histórias de frustração, de conquistas, de perdas, de aceitação, de rejeição, de abandono, de acolhimento, de traumas, de cura, de restauração, de desistência, enfim cada história é singular. A beleza do evangelho está aí. A história do Deus que decidiu entrar na história por causa das inúmeras histórias. O evangelho fala do Deus que se importou com a minha historia e decidiu mudar a minha história. Se Deus se importou com a história de cada um, porque então trato com tanta indiferença as histórias que se desenrolam diante dos meus olhos? Como Pastor entendo que tenho a mais linda história para contar e também tenho muitas histórias para ler. Hoje peço ao Senhor que abra os meus olhos, os olhos do meu coração para que afinal eu possa “ler”.
Beijo no coração
Isaias


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ESSE VIDEO É SIMPLESMENTE DEMAIS

POR FAVOR - LEIA


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.

Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe.Se tiver vontade de rir, ria. 

Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. 

Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.

Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ‘ Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !’ Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar.

E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. 

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.

Eu não vou estranhar o céu . . . 

Sabe porque ? Porque… Ser seu amigo já é um pedaço dele!


Vinícius de Moraes

TEXTO FANTÁSTICO - SER CHIQUE


Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas.

Muito mais que um belo carro Italiano.
O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo.

Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.

É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais!

Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.

É “desligar o radar”, o telefone, quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com “trocentas” plásticas do físico… quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo… falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não

aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios… mas, Amor e Fé nos tornam humanos!

DE VOLTA!!!

Depois de um tempo afastado do blog, aqui estou eu de novo com muita vontade de compartilhar minhas leituras, minhas idéias e tantas outras coisas.  Pra começar quero compartilhar logo de cara minha nova aquisição - Memórias de um pastor, de Eugene Peterson. Nem é preciso dizer que Peterson é um dos meus escritores favoritos. Para ele o trabalho pastoral guarda este caráter subversivo, pois o próprio evangelho é na sua essência subversivo. Prometo postar as notas de leitura assim que terminar de devora-lo.

Beijo no coração.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ANIMO de Eugene Peterson (NOTAS DE LEITURA)

O titulo do livro nos leva a crer que se trata de mais um daqueles livros medíocres de auto-ajuda. Graças a Deus que não é.
“Animo” é um mergulho na vida do profeta Jeremias e a grande lição é - Podemos viver sim acima de toda superficialidade e mediocridade. Como? Repetindo chavões? Exercendo o poder do “pensamento positivo”? Nada disso. 
Para minha vida ter sentido preciso entender o proposito de Deus para a minha vida. Uma vez compreendido este proposito preciso vive-lo com toda integridade.
É disso que trata “animo”. Jeremias era um homem integro, pratico e comprometido. Suas prioridades eram definidas e redefinidas em oracao. Seu compromisso primeiro não era com o seu bem estar e sim com o seu chamado, sua vocação - Ser profeta, boca de Deus para o povo. 
Vale a pena ler e reler. Interessante também usa-lo em grupos de estudos, afinal a vida deste profeta que é considerado por muitos o mais humano, é extremamente edificante e como diz Peterson - “extraordinariamente bem vivida”. 
Deixo vocês com as notas de leitura
-Um carácter íntegro não ganha o "Oscar" nem reconhecimento público algum. No fim de cada ano, ninguém se dá ao trabalho de elaborar uma lista com as dez pessoas que ostentaram a melhor vida.
-Cada vida é uma tela em branco sobre a qual Deus pinta todas as linhas e matizes de cores, sombras e luzes, diferentes texturas e proporções, todas nunca antes usadas por ele.
-A grande dificuldade do ofício pastoral consiste em estimular as pessoas a crescer em excelência e a deixar o egocentrismo, ou seja, consiste em ensiná-las a, ao mesmo tempo, encontrar o eu e perdê-lo. Essa idéia é paradoxal, porém não impossível; e Jeremias se destaca entre aqueles que conseguiram atingir esse ideal. Ele apresentava um ego totalmente desenvolvido — logo, capaz de chamar a atenção — porém, ao mesmo tempo, era uma pessoa inteiramente desinteressada em si mesma e, portanto, muito madura. Assim, esse homem, por mais de vinte e cinco anos, tem sido um exemplo e um mentor para mim em conversas, palestras e sermões.
-O grande perigo é, na verdade, "morrermos antes de realmente morrer, antes que a morte nos sobrevenha como um fato natural. O verdadeiro horror reside exatamente nessa morte prematura, após a qual continuamos a viver por muitos anos"
-Agora, porém, ao primeiro sinal de dificuldade, você está disposto a desistir. Se você se sente fatigado por essa multidão de patéticas mediocridades, o que fará quando a verdadeira corrida começar, contra os velozes e determinados cavalos da excelência? O que você realmente deseja, Jeremias? Quer arrastar- se, acompanhando a multidão ou almeja correr com os cavalos?
-O que há por trás de um nome? A história da raça humana é constituída de nomes. Nossos amigos materialistas e interessados em números não conseguem compreender isso porque se movem em um mundo de objetos que podem ser contados e numerados. Eles reduzem os grandes nomes do passado a pó e cinzas. Chamam isso de história científica. No entanto, todo o significado da história está no fato indiscutível de que existiram pessoas no passado que precisamos conhecer. Eugen Rosenstock-Huessy
-Algumas pessoas, à medida que crescem, tornam-se menores.
-Toda vez que nos movemos do pessoal para o impessoal, do imediato para o remoto, do concreto para o abstrato, sofremos redução, tornamo-nos inferiores. É necessário resistir se quisermos manter nossa humanidade.
-Nenhuma criança é somente uma criança. Cada uma delas é uma criatura por meio da qual Deus pretende realizar uma obra gloriosa e grandiosa. 
  • A deformação à qual os sacerdotes, profetas e sábios estão sujeitos é considerar Deus uma mercadoria, utilizá-lo para legitimar o egoísmo.
  • Se quisermos viver de modo correto devemos ter consciência de que estamos dentro de um processo histórico em curso que não será concluído por nós, mas por Deus.
-E o que Deus está realizando? Ele está salvando, está resgatando, abençoando, provendo, julgando, curando, esclarecendo. Há uma verdadeira batalha espiritual sendo travada. Uma intensa batalha moral. Há maldade, crueldade, infelicidade e doenças. Há superstição e ignorância; brutalidade e dor. Deus se levanta contínua e energicamente contra tudo isso. Ele é a favor da vida e contra a morte. Coloca-se 30 lado do amor e opõe-se ao ódio. Favorece a esperança e combate o desespero. Deus é a favor do céu e contra o inferno. Não existe zona neutra no Universo. Cada centímetro quadrado é área de combate.
-Ninguém nasce neste mundo para ser apenas um mero espectador. Não há meio-termo. Ou aceitamos a vida para a qual fomos consagrados ou, traiçoeiramente, desertamos. Não podemos dizer: "Espere um pouco! Ainda não me sinto pronto. Aguarde até que eu resolva algumas pendências".
-Assim, um dos mais extraordinários aspectos das boas-novas é que Deus usa pessoas de todos os tipos, até as más, para cumprir seus bons propósitos. O grande paradoxo do julgamento divino é que o mal é utilizado como combustível no forno da salvação.
-Há muitas pessoas hoje em dia que amam o reino celestial de Jesus, porém poucas que carregam sua cruz; muitas ansiando por conforto, mas poucas que suportam sofrimentos. Longa é a fila das pessoas que compartilham de seu banquete, porém curta é a fila dos que compartilham de seu jejum. Todos desejam participar de seu júbilo, mas somente uns poucos estão dispostos a sofrer por sua causa. Há muitos que seguem a Jesus até o partir do pão, poucos o fazem até o momento de beber o cálice do sofrimento. Muitos que enaltecem seus milagres, poucos que o seguem na indignidade de sua cruz. Thomas a Kempis
-A vida das pessoas tem a mesma qualidade da adoração que praticam. 
-As pessoas permaneciam naquele lugar santo, recitando os chavões religiosos da época, pensando que tudo estava bem. Elas estavam no lugar certo, diziam as palavras corretas, mas elas próprias não estavam certas. 
-No entanto, ir à igreja para cantar hinos não nos torna mais santos, da mesma forma que ir a uma cocheira e relinchar não nos transforma em cavalos.
-O lado exterior é muito mais fácil de reformar do que o interior. Freqüentar assiduamente uma boa igreja e repetir palavras certas é imensamente mais fácil de fazer do que se esforçar para manter uma vida de justiça e amor entre as pessoas com as quais se trabalha e convive. Aparecer na igreja uma vez por semana, cantar com entusiasmo e repetir o amém é muito mais simples do que se dedicar a uma vida de contínua oração e meditação nas Escrituras, e desenvolver, assim, no íntimo, uma real preocupação com a miséria e a injustiça, com a fome e as guerras.
-Se isso sucedeu a Siló, poderia muito bem acontecer com Jerusalém, ou com qualquer outro lugar onde o povo se reunisse para cultuar a Deus. Não é suficiente estar no lugar certo e dizer as palavras corretas; nunca é suficiente até que caminhemos com Deus 24 horas por dia, por onde formos, de tal modo que tudo o que dissermos seja uma fiel expressão de amor e de fé.
-Deus não desiste de fazer bons vasos. Ele não joga fora o vaso danificado. Usando uma imagem diferente, George Herbert expressou a mesma idéia: "As tempestades são o triunfo de sua arte".
-A vida de fé tem uma dimensão fortemente física. Ser um cristão tem muito que ver com nossa carne — o tempo, o espaço e as coisas materiais. Isso implica ser colocado na roda do oleiro e transformado por inteiro em algo útil e belo. 
-Somos recipientes, "regiões do ser", nas palavras de Heiddeger, nas quais o amor, a salvação e a misericórdia são conservados e compartilhados.
-Algumas pessoas vão à igreja buscando uma forma de melhorar a vida, sentir-se bem consigo mesmas e ver as coisas com maior clareza e compreensão. Elas organizam um ritual e contratam um pregador para fazer o que idealizaram. Outras buscam a igreja porque querem que Deus as salve e governe suas vidas. Elas aceitam o fato de que há tentações, sacrifícios e sofrimentos envolvidos na decisão de abandonar uma vida na qual estão no controle para lançar-se em um modo de vida incerto, onde quem está no comando é Deus. O primeiro grupo vê a religião como uma receita rápida para o viver feliz e vitorioso; nada que interfira no sucesso ou interrompa a felicidade pode ser tolerado. O outro grupo enxerga a religião como um caminho no qual pessoas feridas e imperfeitas se completam numa relação com Deus. Tudo elas aceitam — zombaria, perseguição, renúncia, dor, abnegação — desde que contribua para aprofundar e fortalecer essa realidade. Um é o caminho da exaltação do que queremos; o outro é o caminho do comprometimento pessoal para ser aquilo que Deus deseja. Sempre e em todos os lugares esse conflito de expectativas estará em evidência. Está patente na experiência de Jeremias e eclode, de maneira dramática e barulhenta, na Jerusalém daqueles dias.
-A tarefa do profeta não é colocar panos quentes, mas fazer o que é certo. A função da religião não é fazer com que as pessoas se sintam bem. Amor? Sim, Deus nos ama. Porém, seu amor requer a fidelidade e o compromisso em retorno. Deus não deseja cuidar de animais de estimação, dando alimentação e afago. Antes, quer maturidade, pessoas livres que respondam a ele com sinceridade. Para que isso aconteça, deve existir honestidade e verdade. O eu deve ser retirado do pedestal. Deve haver corações puros e propósitos claros, confissão de pecados e compromisso de fé.
-Há pessoas de todos os tipos ao nosso redor, filhos e pais, jovens e adultos, pessoas que estão sendo cruelmente maltratadas e agredidas, afligidas e desprezadas. Qualquer pregação sobre paz que dá as costas para essa situação é uma tremenda farsa.
-Nós temos que aprender a viver de acordo com a verdade e não regidos por nossos sentimentos ou pela opinião da maioria; não pelo que a última pesquisa nos impõe como moralmente aceitável, não pelo que o governo ditatorial da indústria da propaganda nos diz sobre qual é o estilo de vida mais gratificante.
-As estatísticas são uma farsa. A popularidade e apenas uma cortina de fumaça. Tudo o que importa é Deus.
-As prioridades são restabelecidas por intermédio da oração. O fato de Deus estar em primeiro ou segundo lugar na vida das pessoas faz toda a diferença neste mundo. Quem está em primeiro lugar aqui? Deus ou o povo? Se Deus é quem tem a primazia, as queixas expressam apenas o que está envolvido em um trabalho difícil. O trabalho vale ou não a pena. A questão central é o que realmente desejo fazer com minha vida. Amar e bajular os outros; agradar os outros ou a Deus?
-A oração é o meio pelo qual as prioridades são definidas novamente.
-encontro diário com a ressonante voz de Deus. Esse encontro ocorre por intermédio da oração. As situações mudam, mas será que Deus muda? Nós oramos e escutamos. Deus repete sua palavra — a mesma palavra — e nos restaura, renovando-nos em nosso compromisso.
- A vida é dinâmica. Ela está em constante mudança e crescimento. Sofre ataques e é desafiada pelo mundo. De forma diferente, a Palavra de Deus e meu chamado jamais mudam, mas o relacionamento que daí decorre está sob ataque constante e deve ser renovado com freqüência. A determinação é fundamental, mas não é suficiente. Por intermédio da oração, Deus nos renova e restaura. O objetivo maior dela não é aumentar nosso conhecimento, ensinando-nos algo novo, mas Deus confirmar, mais uma vez, a fé para a qual fomos chamados.
-Ninguém se torna um ser humano de qualidade como Jeremias, simplesmente adotando uma postura de vencedor. Foram suas orações, em segredo porém constantes, que o levaram a desenvolver a maturidade e a sensibilidade espiritual que tanto almejamos. O que fazemos em segredo determina o grau de sanidade que demonstramos em público. A oração é o ato confidencial que desenvolve uma vida que é, ao mesmo tempo, autêntica e profundamente humana.
-Jeremias escreveu: [...] eu vo-la tenho anunciado; mas vós não escutastes [...] nem inclinastes os ouvidos para ouvir" (Jr 25:3-4). Aqui está a explicação para nossos padrões irregulares de vida, para nossa inconstância, para nossa infidelidade, para nossa estúpida incapacidade de distinguir entre o modismo e a verdadeira fé: nós não nos levantamos cedo e ouvimos o que Deus tem a nos dizer. Não reservamos diariamente um tempo longe da multidão, um período de silêncio e solidão, a fim de nos preparar para a jornada daquele dia. Garry Wills afirmou: "Um homem exemplar deve dar um formato à sua vida, fazer um planejamento que lhe permita refletir, estudar e criar'".
-As multidões mentem. Quanto mais pessoas, menos verdade
-Não podemos evitar as multidões, mas podemos evitar ser condicionados por elas.
-Afirmações como: "Eu não sou do tipo religioso" são inadmissíveis. Não existem tipos religiosos. Existem seres humanos, cada qual criado para desenvolver um relacionamento pessoal e eterno com seu Criador.
-A única oportunidade de desfrutar do viver pela fé é nas circunstâncias em que se encontram no presente: na casa em que vivem, na família em que estão, na atividade que lhes foi concedida, nas condições climáticas que prevalecem neste momento".
-Fenelon costumava dizer que existem dois tipos de pessoas: as que olham para a vida e se queixam do que não têm e e as que olham para a vida e se alegram com o que têm.69 Assim, a questão é esta: Viveremos com base no que possuímos ou no que não possuímos?
-Isso permanece ainda hoje. O exílio é o pior que revela o melhor. "É difícil acreditar que a tragédia pode ser boa", afirma William Faulkner.9 Quando o supérfluo é removido, descobrimos o essencial; e o essencial é Deus. Uma vida normal é repleta de distrações e coisas sem importância. Então surgem as catástrofes: mudanças, exílio, doenças, acidentes, desemprego, divórcio, morte. A realidade de nossa vida é modificada sem nenhuma consulta prévia ou permissão. Não estamos mais em casa.
Todos nós passamos por momentos, dias, meses ou anos de exílio. Que faremos com essas experiências? Desejaremos estar em outro lugar? Reclamaremos? Fugiremos para o mundo das fantasias? Vamos nos embriagar para esquecer a realidade? Ou construir uma casa, cultivar o solo, constituir uma família e buscar a paz do lugar em que habitamos e das pessoas com as quais convivemos? O exílio revela o que na verdade importa e nos torna pessoas livres para perseguir isso, isto é, buscar a Deus de todo o nosso coração.
-E esse viver não significa receber aplausos constantes, muito menos jogar no time vencedor. O andar pela fé requer prontidão para viver por algo que não se pode ver, controlar ou prever.
-No Egito, um lugar em que não queria estar, tendo ao lado pessoas que o tratavam de forma cruel, ele prosseguiu fiel e corajosamente sob o fardo de uma impiedosa rejeição. Uma vida edificante e extraordinariamente bem vivida.